quarta-feira, 28/10/2026

Aumento nas graduações em Inteligência Artificial: conhecimento adquirido e perspectivas salariais dos formandos

Heloisy Rodrigues fez história ao se tornar a primeira mulher a se formar em inteligência artificial em uma universidade pública brasileira. A conquista, que ocorreu em 2023 na Universidade Federal de Goiás (UFG), sinaliza…

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Heloisy Rodrigues fez história ao se tornar a primeira mulher a se formar em inteligência artificial em uma universidade pública brasileira. A conquista, que ocorreu em 2023 na Universidade Federal de Goiás (UFG), sinaliza não apenas um avanço pessoal, mas também um passo significativo para a representatividade feminina em um campo dominado por homens.

A graduação em inteligência artificial, oferecida pela UFG desde 2019, ainda é um caminho incerto para muitos estudantes. Em um cenário onde as incertezas sobre o futuro da tecnologia são palpáveis, os novos alunos frequentemente se perguntam se vale a pena embarcar nessa jornada. Heloisy, refletindo sobre sua experiência, compartilha que até os professores demonstravam hesitação quanto ao curso, considerando os alunos como “cobaias”. No entanto, a busca por profissionais qualificados em IA, com salários que podem alcançar até R$ 32 mil, conforme projeções do Linkedin para 2026, tem atraído cada vez mais candidatos.

O aumento na oferta de cursos de bacharelado em IA, que já totaliza 76 no Brasil, é um reflexo da crescente demanda do mercado. A UFG, em particular, viu a nota de corte para o curso em 2026 superar até mesmo a de medicina, com a impressionante marca de 846,72 pontos.

Mas o que realmente se aprende em uma graduação dessa natureza? De acordo com especialistas, a base curricular vai muito além do uso de ferramentas como o ChatGPT. O foco está na compreensão profunda de lógica, estatística, algoritmos e outros fundamentos que sustentam a inteligência artificial. O cientista Silvio Meira enfatiza que a verdadeira formação em IA deve ser atemporal, voltada para a criação de novas tecnologias, e não apenas para o uso de ferramentas atuais que rapidamente se tornam obsoletas.

As disciplinas do curso de IA são amplas e incluem desde matemática e lógica até ética e humanidades. Com um currículo que mescla teoria e prática, os alunos não apenas aprendem a programar, mas também a entender o impacto de suas criações na sociedade. A preocupação com a ética e os impactos socioeconômicos da IA é um aspecto central da formação, preparando os alunos para enfrentar os desafios que a tecnologia impõe.

No que tange às oportunidades profissionais, a formação em inteligência artificial abre portas em diversas áreas, desde saúde, onde se desenvolvem sistemas de análise preditiva, até a automação de processos no setor corporativo. Heloisy destaca a flexibilidade que o mercado de IA oferece, permitindo que profissionais brasileiros trabalhem remotamente para empresas internacionais.

Para aqueles que aspiram a seguir essa carreira, é fundamental ter afinidade com disciplinas exatas e estar disposto a desenvolver habilidades interpessoais. O perfil do estudante de IA é cada vez mais interdisciplinar, refletindo a necessidade de profissionais que não apenas entendam de tecnologia, mas que também consigam liderar e atuar de forma ética em suas áreas de atuação.

Com o avanço das tecnologias e a expansão do mercado, a graduação em inteligência artificial se mostra não apenas uma escolha promissora, mas uma oportunidade de moldar o futuro em um dos campos mais relevantes da atualidade. O caminho de Heloisy é um exemplo inspirador do que pode ser alcançado e das novas possibilidades que se abrem para as mulheres na ciência e na tecnologia.