quinta-feira, 29/10/2026

Temas essenciais como SUS, educação matemática, mudanças climáticas e população em situação de rua foram deixados de lado nas campanhas eleitorais.

A campanha presidencial de 2026 revelou um panorama preocupante sobre a falta de discussão de temas cruciais para o Brasil. Embora os candidatos à presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva…

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A campanha presidencial de 2026 revelou um panorama preocupante sobre a falta de discussão de temas cruciais para o Brasil. Embora os candidatos à presidência, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tenham apresentado seus planos de governo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), questões essenciais como saúde, educação e meio ambiente foram apenas superficialmente abordadas nos debates. Um estudo recente do g1, que ouviu especialistas em diversas áreas, destaca quatro temas que merecem atenção urgente e que, infelizmente, ficaram em segundo plano na corrida presidencial.

Um dos principais pontos levantados foi o financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS) e o impacto do envelhecimento populacional. A Constituição garante que a saúde é um direito de todos, mas a falta de discussão sobre como sustentar o SUS diante do aumento da demanda por serviços de saúde é alarmante. Especialistas apontam que a previsão de gastos com saúde deve aumentar consideravelmente nos próximos anos, especialmente com a crescente incidência de doenças crônicas entre os idosos. Em um cenário onde a expectativa de vida se eleva, a necessidade de recursos para o SUS se torna uma questão de sobrevivência, e a revisão da tabela de valores pagos pelos serviços de saúde é uma medida urgente que precisa ser debatida.

Outro aspecto que merece destaque é o estado do ensino médio, especialmente em matemática. Apesar dos avanços nos anos iniciais, os estudantes têm apresentado defasagem significativa nesse componente curricular. A formação inadequada dos professores e a falta de valorização da disciplina no cotidiano dos alunos são fatores que contribuem para essa realidade. Especialistas alertam que, sem um foco sério na formação docente e na atratividade da carreira, o Brasil continuará a falhar em garantir uma educação de qualidade, e isso terá consequências diretas no futuro do país.

Além disso, a questão ambiental, especialmente em relação ao fenômeno do El Niño, foi quase ausente nas discussões eleitorais. Com projeções que indicam um dos episódios mais intensos da história recente, o Brasil se encontra mal preparado para lidar com os desastres naturais que podem advir. A falta de políticas públicas adequadas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e proteger as populações vulneráveis é uma falha que não pode ser ignorada. Dados alarmantes sobre a seca e as inundações em várias regiões do país evidenciam a urgência de um planejamento que priorize a resiliência climática.

Por fim, a situação da população em situação de rua no Brasil é um tema que, embora complexo, não recebeu a devida atenção nas campanhas. Com mais de 390 mil pessoas vivendo nessas condições, a falta de políticas públicas eficazes e de dados confiáveis é uma questão que não pode ser deixada de lado. A invisibilidade dessa população e a ausência de discussões sobre seus direitos e necessidades revelam um descaso que vai além da política, afetando diretamente a dignidade humana.

Enquanto o Brasil se prepara para escolher seu próximo presidente, é fundamental que os eleitores e candidatos coloquem em evidência esses temas. A saúde, a educação, a preservação ambiental e a dignidade de todos os cidadãos não podem ser relegadas a um segundo plano. A responsabilidade de construir um país mais justo e igualitário recai sobre todos nós, e é hora de exigir que essas questões sejam tratadas com a seriedade que merecem.

Crédito da imagem: Flávio Bolsonaro e Lula chegam ao debate da Globo