quarta-feira, 28/10/2026

Adolescência pode iniciar antes dos 12 anos; entenda as transformações físicas e emocionais desse período.

A série “Essa Tal de Adolescência” lança luz sobre um dos períodos mais desafiadores na relação entre pais e filhos. Embora a adolescência seja frequentemente associada aos 12 ou 13 anos, especialistas afirmam que…

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A série “Essa Tal de Adolescência” lança luz sobre um dos períodos mais desafiadores na relação entre pais e filhos. Embora a adolescência seja frequentemente associada aos 12 ou 13 anos, especialistas afirmam que os primeiros sinais dessa fase já podem ser observados por volta dos 9 ou 10 anos. O corpo e o cérebro começam a passar por transformações significativas, com os hormônios dando início a mudanças que afetam tanto a aparência quanto o comportamento.

As manifestações dessas alterações são variadas: surgem espinhas, a voz dos meninos se torna mais grave e as meninas iniciam o ciclo menstrual. Mas as mudanças não se restringem ao físico. Os adolescentes começam a questionar as regras estabelecidas pelos pais e buscam afirmar sua autonomia, o que pode gerar tensões nas relações familiares. Essa fase é crucial para a construção da identidade e é fortemente influenciada pelos grupos de amizade.

De acordo com o pediatra Daniel Becker, que estuda a adolescência há mais de quatro décadas, essa etapa é uma ponte entre a infância e a vida adulta. Os jovens, ao buscarem referências fora de casa, muitas vezes se sentem confusos e vulneráveis, sentimentos normais deste processo de transição. “A gente fica confuso, a gente fica vulnerável”, resume um dos especialistas consultados.

As mudanças cerebrais são um fator fundamental nesse período. A neurocientista Fernanda Tovar Moll explica que o cérebro dos adolescentes passa por um processo intenso de plasticidade, onde as conexões se modificam e se reorganizam. Durante essa fase, áreas do cérebro ligadas às emoções e ao sistema de recompensa se desenvolvem mais rapidamente do que o córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões. Isso resulta em uma combinação de emoções intensas e um controle ainda limitado sobre os impulsos. “Ela está intensa, muito intensa”, afirma a especialista.

O amadurecimento cerebral não se encerra na adolescência; ele pode se estender até os 25 ou 27 anos, o que implica que a compreensão das necessidades e desafios dos jovens é crucial para uma convivência harmoniosa. Nesse contexto, a psicopedagoga e terapeuta parental Cláudia sugere que os pais devem acompanhar de perto a busca dos filhos por autonomia, oferecendo apoio e liberdade gradual. “A gente costuma andar de mão dada com a criança na rua e a gente solta a mão do adolescente. Eu digo que a gente tem que dar o dedinho para o adolescente e não soltar a mão”, explica.

Compreender as transformações físicas e emocionais dos jovens é essencial para mitigar conflitos e promover um diálogo saudável durante essa fase repleta de descobertas e desafios. A série “Essa Tal de Adolescência” se propõe a explorar essas nuances, oferecendo um olhar aprofundado sobre um dos períodos mais complexos do desenvolvimento humano.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — BarbeeAnne (pixabay)