quarta-feira, 28/10/2026

Professores relatam desafios e descontentamento com a falta de suporte em novos depoimentos ao g1

No Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, é imperativo refletir sobre a realidade enfrentada por aqueles que dedicam suas vidas à educação. Comentários de educadores em postagens nas redes sociais revelam um…

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No Dia dos Professores, celebrado em 15 de outubro, é imperativo refletir sobre a realidade enfrentada por aqueles que dedicam suas vidas à educação. Comentários de educadores em postagens nas redes sociais revelam um retrato preocupante da profissão: sobrecarga de trabalho, falta de recursos e um crescente sentimento de desamparo. Para muitos, o ensino se tornou uma atividade extenuante e, em algumas situações, até humilhante.

A insatisfação é palpável. Professores como Janaína Jascone, de Santo André, e Hudson Araújo, de Roraima, descrevem sua rotina extenuante, marcada por turmas superlotadas e a multiplicação das responsabilidades. Janaína, por exemplo, se vê forçada a lidar com até 49 alunos ao mesmo tempo, onde a maior parte do tempo é dedicada à mediação de conflitos, e não ao ensino propriamente dito. “Ensinar é a parte mais gostosa, mas, em um dia feliz, em uma aula de 50 minutos, eu consigo dar 15 minutos de conteúdo”, lamenta.

Além das condições precárias de trabalho, os docentes enfrentam um ambiente cada vez mais hostil. Leviston Silveira, professor em Curitiba, ressalta a fragilidade da relação entre escola e família, onde os educadores são frequentemente responsabilizados por problemas que vão além da sala de aula. A desvalorização social do papel do professor e a perda de autoridade são questões recorrentes que afetam diretamente a qualidade da educação.

O cenário se agrava com a falta de infraestrutura básica nas escolas. Leviston destaca que 80% dos colégios públicos não possuem laboratórios, o que compromete o interesse dos alunos e a capacidade de ensino dos professores. Mais do que isso, a necessidade de buscar soluções com recursos próprios se torna uma prática comum: muitos educadores, como Maria, relatam ter que comprar materiais pedagógicos com seu próprio dinheiro para garantir um aprendizado mais eficaz.

A insatisfação salarial também permeia o discurso dos professores. Um estudo da OCDE revela que apenas 22,3% dos docentes estão satisfeitos com seus salários, um dos índices mais baixos entre os países avaliados. Mesmo com a implementação de um piso salarial, muitos educadores sentem que sua dedicação não é recompensada adequadamente, levando Hudson a questionar a lógica que faz com que um professor-doutor ganhe menos do que outros profissionais com formação equivalente.

As reivindicações dos professores são claras: valorização salarial, redução do número de alunos por turma, maior autonomia pedagógica e suporte à saúde mental, entre outras. Para Luciléia Ramos, professora em Praia Grande, a qualidade da educação não depende apenas do esforço individual, mas também de condições adequadas para o trabalho. “A educação de qualidade exige condições reais para que esse trabalho aconteça”, enfatiza.

Maria, que se afastou temporariamente da docência após ter um filho, expressa a dor de um amor à profissão que se transforma em desilusão. “Eu vejo a minha professora como se fosse uma fada. Quando eu aprendi a ler pelas mãos dela, aquilo mudou a minha vida. Eu amo minha profissão, mas não sou professora por amor. Não sei se ainda vale a pena. Ninguém cuida da gente”, diz, refletindo a angústia de muitos educadores que se sentem invisíveis e desvalorizados em uma sociedade que depende de seu trabalho.

Crédito da imagem: Foto: Pixabay — HubertPhotographer (pixabay)